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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Miscelânia Queirosiana

«Vi-a numa noite doce,
Em que o rouxinol cantava,
Luminoso pavilhão;
Era Sintra!Sonho lindo!
O aroma das giestas
E a minha voz,uma prece
De louvor ao Ramalhão.»

********************

«Passou o Conde Almirante,
Na sua galé do mar.
Tantos remos hã, por baixo,
Que não se podem contar.»

Quem me quer a mim servir,
Quem quer o meu pão ganhar,
Há-de levar esta carta
A Dom Clarim d'Além-mar.»

Queirós,Eça de , A Tragédia da Rua das Flores.
Lisboa: Edições «Livros do Brasil»,1984, pp. 92, 207


Recolha de Maria do Carmo Costa

"Quadras", Augusto Gil

Venho dum baile. Horas mortas.
Que impressões trouxe gravadas!
Os pais a verem às portas
Se as filhas são procuradas...

Quando tu foste gerada
Pôs-se o Sol nasceu a Lua.
Estava tua mãe deitada,
Andava teu pai na rua.

Nos registos paroquiais
Há muitas páginas cheias
Com pais apenas legais
De criancinhas alheias...

Quando falaste em casar,
Certa noite ardente, escura,
Deitaste sem o pensar
Água fria na fervura.

Nestas tempos dissolutos
Toda a mulher é vendida,
Umas vendem-se aos minutos
-As outras por toda a vida.

Tantos namoros e ao cabo
Não houve um só que adregasse.
Casa-te com o diabo...
Para se ver o que nasce.


Gil, Augusto ,in Cem Poemas do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.64-65.

Recolha de Ana Cidália Pereira

* Obra do acervo da Biblioteca desta escola