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quinta-feira, 30 de abril de 2009

"Amor, eu quando penso", Miguel de Cervantes

Amor,eu quando penso
no mal que tu me dás,terrivel,forte,
alegre corro à morte,
para assim acabar meu mal imenso.

Mas quando chego ao passo,
que é meu porto no mar desta agonia,
sinto tal alegria
que a vida se revolta e não o passo.

Assi o viver me mata,
pois que a morte me torna a dar a vida!
Condição nunca ouvida,
a que comigo vida e morte trata!

Cervantes, Miguel de - D. Quixote de La Mancha. Lisboa: Público, 2004, p.768

Recolha de Paulo Ferreira

*Obra do acervo da Biblioteca desta escola

domingo, 26 de abril de 2009

"D. Quixote de la Mancha", Miguel de Cervantes

Da aridez desta terra desgraçada,
E dos castelos pelo chão lançados,
As santas almas de três mil soldados
Subiram vivas a melhor morada!

Mui grande valentia exercitada
Foi aqui por seus braços esforçados,
Mas afinal já poucos e cansados,
Todos morreram vítimas da espada!
É neste o solo, aonde padeceram
Tristes sucessos as hespanas gentes
No actual século, e nos que já correram.

Mas jamais foram dele aos céus luzentes
Almas tão santas, nem jamais desceram
Ao seio seu uns corpos tão valentes!

Cervantes,Miguel de - D. Quixote de la Mancha. Lisboa: Público, 2004, p.309

Recolha de Fernando Silva

*Obra do acervo da Biblioteca desta Escola