Todo o solteiro que este mundo logra
E por casado assezoado berra
Considere que peste, fome e guerra
O diabo lhe dá em dar-lhe sogra.
A doce liberdade se malogra
De todo o paraíso se desterra,
E de viver enfim os termos erra,
Porque em vida se se enterra se se ensogra.
Terá sogra ab initio et ante bruxa,
Terá sogra ad perpectuam rei tarascia,
Sogra per omnia secula proluxa;
Que é peste no contágio que lhe encasca,
É fome na miséria que lhe embuxa,
É guerra no dragão que lhe enfrasca.
Tomás Pinto Brandão in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
Quem Tem Farelos?(Excerto), Gil Vicente
Velha:
Rogo à Virgem Maria,
Que quem me fez erguer da cama,
que má cama e má dama,
e má lama negra e fria.
Má mazela e má courela,
mau regato e mau ribeiro,
mau silvado e mau outeiro,
má carreira e má portela.
Mau cortiço e mau sumiço,
maus lobos e maus lagartos,
nunca de pão sejam fartos!
Mau criado, mau serviço,
má montanha, má companha,
má aranha, má pousada,
má achada,má entrada,
má aranha, má façanha.
Má escrença, má doença,
má doairo, má fadairo,
mau vigairo,mau trintairo,
má demanda,má sentença,
mau amigo e mau abrigo,
mau vinho e mau vizinho,
mau meirinho e mau caminho,
mau trigo e mau castigo.
Irá de monte e de fonte,
irá de serpe de drago,
perigo de dia aziago
em rio de monte a monte,
má morte, má corte, má sorte,
má dado,má fado, má prado,
mau criado, mau mandado,
mau conforto te conforte.
Rogo às dores de Deus,
que má caída lhe caia,
e má saída lhe saia
trama lhe venha dos céus.
Jesu! Que escuro que faz!
Ó mártere San Sandorninho!
Que má rua e má caminho!
Cego seja quem m'isto faz!
Ui! Amara, percudida!
Jesú,a que m'eu encandeio!
Esta praga donde veio?
Deus lhe apare negra vida!
Vicente, Gil in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.15-17.
Recolha de José António Ferreira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Rogo à Virgem Maria,
Que quem me fez erguer da cama,
que má cama e má dama,
e má lama negra e fria.
Má mazela e má courela,
mau regato e mau ribeiro,
mau silvado e mau outeiro,
má carreira e má portela.
Mau cortiço e mau sumiço,
maus lobos e maus lagartos,
nunca de pão sejam fartos!
Mau criado, mau serviço,
má montanha, má companha,
má aranha, má pousada,
má achada,má entrada,
má aranha, má façanha.
Má escrença, má doença,
má doairo, má fadairo,
mau vigairo,mau trintairo,
má demanda,má sentença,
mau amigo e mau abrigo,
mau vinho e mau vizinho,
mau meirinho e mau caminho,
mau trigo e mau castigo.
Irá de monte e de fonte,
irá de serpe de drago,
perigo de dia aziago
em rio de monte a monte,
má morte, má corte, má sorte,
má dado,má fado, má prado,
mau criado, mau mandado,
mau conforto te conforte.
Rogo às dores de Deus,
que má caída lhe caia,
e má saída lhe saia
trama lhe venha dos céus.
Jesu! Que escuro que faz!
Ó mártere San Sandorninho!
Que má rua e má caminho!
Cego seja quem m'isto faz!
Ui! Amara, percudida!
Jesú,a que m'eu encandeio!
Esta praga donde veio?
Deus lhe apare negra vida!
Vicente, Gil in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.15-17.
Recolha de José António Ferreira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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