I
Os três irmãos de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram então, em todo o reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados.
Nos paços de Medranhos, a que o vento da serra levara vidraça e telha, passavam eles as tardes desse Inverno, engelhados nos seus pelotes de camelão, batendo as solas rotas sobre as lajes da cozinha, diante da vasta lareira negra, onde desde muito não estalava lume, nem fervia a panela de ferro.
*Queirós, Eça - "O Tesouro" in Contos.
Porto: Porto Ed., 2003, p.97
Assim começa este conto belíssimo. Aqui se fala de ganância e mesquinhez, mas também de almas humanas de outros tempos, tão minuciosa e precisamente retratadas , que esta bem podia ser uma história dos nossos dias...
Recolha e comentário da Formadora de Linguagem e Comunicação, Maria José Fontes
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola.
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
"Davam grandes passeios aos Domingos", José Régio
II
Grande amor? Um pouco mais devagar.Ao fim de meses em Portalegre e em casa de sua tia Alice, achava Rosa Maria que o primo Fernando era simplesmente a pessoa mais divertida da casa. Ora sê-lo não implicava extraordinárias vantagens pessoais. Todas as outras eram, talvez, mais interessantes;e pela certa mais importantes, ou mais distintas;ou mais sérias... Precisamente por isso; menos divertidas na desautorizada opinião de Rosa Maria. Significará isto que Rosa Maria fosse uma rapariga fútil? Aguardemos os acontecimentos.
O caso é ter cada pessoa da casa um papel que certas conveniências ou circunstâncias lhe haviam distribuído, e cada pessoa desempenhava o mais escrupulosamente possível.
Régio, José , "Davam grandes passeios ao domingo", Lisboa: Livros Unibolso, s/d, p.17
Recolha de Paulo Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Grande amor? Um pouco mais devagar.Ao fim de meses em Portalegre e em casa de sua tia Alice, achava Rosa Maria que o primo Fernando era simplesmente a pessoa mais divertida da casa. Ora sê-lo não implicava extraordinárias vantagens pessoais. Todas as outras eram, talvez, mais interessantes;e pela certa mais importantes, ou mais distintas;ou mais sérias... Precisamente por isso; menos divertidas na desautorizada opinião de Rosa Maria. Significará isto que Rosa Maria fosse uma rapariga fútil? Aguardemos os acontecimentos.
O caso é ter cada pessoa da casa um papel que certas conveniências ou circunstâncias lhe haviam distribuído, e cada pessoa desempenhava o mais escrupulosamente possível.
Régio, José , "Davam grandes passeios ao domingo", Lisboa: Livros Unibolso, s/d, p.17
Recolha de Paulo Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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Atitudes,
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José Régio,
Literatura Portuguesa,
Sentimentos
Quem Tem Farelos?(Excerto), Gil Vicente
Velha:
Rogo à Virgem Maria,
Que quem me fez erguer da cama,
que má cama e má dama,
e má lama negra e fria.
Má mazela e má courela,
mau regato e mau ribeiro,
mau silvado e mau outeiro,
má carreira e má portela.
Mau cortiço e mau sumiço,
maus lobos e maus lagartos,
nunca de pão sejam fartos!
Mau criado, mau serviço,
má montanha, má companha,
má aranha, má pousada,
má achada,má entrada,
má aranha, má façanha.
Má escrença, má doença,
má doairo, má fadairo,
mau vigairo,mau trintairo,
má demanda,má sentença,
mau amigo e mau abrigo,
mau vinho e mau vizinho,
mau meirinho e mau caminho,
mau trigo e mau castigo.
Irá de monte e de fonte,
irá de serpe de drago,
perigo de dia aziago
em rio de monte a monte,
má morte, má corte, má sorte,
má dado,má fado, má prado,
mau criado, mau mandado,
mau conforto te conforte.
Rogo às dores de Deus,
que má caída lhe caia,
e má saída lhe saia
trama lhe venha dos céus.
Jesu! Que escuro que faz!
Ó mártere San Sandorninho!
Que má rua e má caminho!
Cego seja quem m'isto faz!
Ui! Amara, percudida!
Jesú,a que m'eu encandeio!
Esta praga donde veio?
Deus lhe apare negra vida!
Vicente, Gil in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.15-17.
Recolha de José António Ferreira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Rogo à Virgem Maria,
Que quem me fez erguer da cama,
que má cama e má dama,
e má lama negra e fria.
Má mazela e má courela,
mau regato e mau ribeiro,
mau silvado e mau outeiro,
má carreira e má portela.
Mau cortiço e mau sumiço,
maus lobos e maus lagartos,
nunca de pão sejam fartos!
Mau criado, mau serviço,
má montanha, má companha,
má aranha, má pousada,
má achada,má entrada,
má aranha, má façanha.
Má escrença, má doença,
má doairo, má fadairo,
mau vigairo,mau trintairo,
má demanda,má sentença,
mau amigo e mau abrigo,
mau vinho e mau vizinho,
mau meirinho e mau caminho,
mau trigo e mau castigo.
Irá de monte e de fonte,
irá de serpe de drago,
perigo de dia aziago
em rio de monte a monte,
má morte, má corte, má sorte,
má dado,má fado, má prado,
mau criado, mau mandado,
mau conforto te conforte.
Rogo às dores de Deus,
que má caída lhe caia,
e má saída lhe saia
trama lhe venha dos céus.
Jesu! Que escuro que faz!
Ó mártere San Sandorninho!
Que má rua e má caminho!
Cego seja quem m'isto faz!
Ui! Amara, percudida!
Jesú,a que m'eu encandeio!
Esta praga donde veio?
Deus lhe apare negra vida!
Vicente, Gil in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.15-17.
Recolha de José António Ferreira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Etiquetas:
Escárnio,
Escritor Português,
Gil Vicente,
Literatura Portuguesa,
Poesia,
Sentimentos
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Miscelânia Queirosiana
«Vi-a numa noite doce,
Em que o rouxinol cantava,
Luminoso pavilhão;
Era Sintra!Sonho lindo!
O aroma das giestas
E a minha voz,uma prece
De louvor ao Ramalhão.»
********************
«Passou o Conde Almirante,
Na sua galé do mar.
Tantos remos hã, por baixo,
Que não se podem contar.»
Quem me quer a mim servir,
Quem quer o meu pão ganhar,
Há-de levar esta carta
A Dom Clarim d'Além-mar.»
Queirós,Eça de , A Tragédia da Rua das Flores.
Lisboa: Edições «Livros do Brasil»,1984, pp. 92, 207
Recolha de Maria do Carmo Costa
Em que o rouxinol cantava,
Luminoso pavilhão;
Era Sintra!Sonho lindo!
O aroma das giestas
E a minha voz,uma prece
De louvor ao Ramalhão.»
********************
«Passou o Conde Almirante,
Na sua galé do mar.
Tantos remos hã, por baixo,
Que não se podem contar.»
Quem me quer a mim servir,
Quem quer o meu pão ganhar,
Há-de levar esta carta
A Dom Clarim d'Além-mar.»
Queirós,Eça de , A Tragédia da Rua das Flores.
Lisboa: Edições «Livros do Brasil»,1984, pp. 92, 207
Recolha de Maria do Carmo Costa
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