Ai que prazer.
Não cumpir um dever.
Ter um livro para ler.
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
de tão naturalmente matinal,
como tem tempo
não tem pressa...
Livros são papeis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta.
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Pessoa, Fernando in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
"25 de Abril", Sophia de Mello Breyner Andresen
Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Andresen, Sophia de Mello Breyner in Abril 30 Anos 30 Poemas. Fanha, José e Letria, José Jorge (org.). Porto: Campo das Letras, 2004, p.9
Recolha: Maria José Fontes (Formadora de Linguagem e Comunicação)
o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Andresen, Sophia de Mello Breyner in Abril 30 Anos 30 Poemas. Fanha, José e Letria, José Jorge (org.). Porto: Campo das Letras, 2004, p.9
Recolha: Maria José Fontes (Formadora de Linguagem e Comunicação)
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