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domingo, 28 de junho de 2009

Dia de Camões IV

Formosos olhos, que na idade nossa

Formosos olhos, que na idade nossa
Mostrais do Céu certíssimos sinais,
Se quereis conhecer quanto possais,
Olhai-me a mim, que sou feitura vossa.
Vereis que do viver me desapossa
Aquele riso com que a vida dais;
Vereis como de Amor não quero mais,
Por mais que o tempo corra, o dano possa.
E se ver-vos nesta alma, enfim, quiserdes,
Como num claro espelho, ali vereis
Também a vossa, angélica e serena.
Mas eu cuido que, só por me não verdes,
Ver-vos em mim, Senhora, não quereis:
Tanto gosto levais de minha pena!

Luís de Camões

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Cantiga

A este mote alheio:
Menina dos olhos verdes,
porque me não vedes?


Voltas

Eles verdes são,
e têm por usança
na cor, esperança
e nas obras, não.
Vossa condição
não é d'olhos verdes,
porque me não vedes.

Isenções a molhos
que eles dizem terdes,
não são d'olhos verdes,
nem de verdes olhos.
Sirvo de giolhos,
e vós não me credes
porque me não vedes.

Haviam de ser,
porque possa vê-los,
que uns olhos tão belos
não se hão-de esconder;
mas fazeis-me crer
que já não são verdes,
porque me não vedes.

Verdes não o são
no que alcanço deles;
verdes são aqueles
que esperança dão.
Se na condição
está serem verdes,
porque me não vedes?

Luís de Camões

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Erros meus, má fortuna, amor ardente

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões

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Sempre a Razão vencida foi de Amor

Sempre a Razão vencida foi de Amor;
Mas, porque assim o pedia o coração,
Quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!

Novo modo de morte e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
Que perde suas forças a afeição,
Por que não perca a pena o seu rigor.

Pois nunca houve fraqueza no querer,
Mas antes muito mais se esforça assim
Um contrário com outro por vencer.

Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
Não creio que é Razão; mas há-de ser
Inclinação que eu tenho contra mim.

Luís de Camões

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Descalça vai para a fonte

Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Luís de Camões


Recolha de Maria do Carmo Costa

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"O Tesouro", versão recontada VI

"Suava, tremia.
-Socorro! Acudam-me! Guanes! Rostabal!
Quem lhe podia valer?
Cambaleou até à fonte.
Mas a água não apagava aquele lume.
Recuou, caiu para cima da relva. Tentou levantar-se.
Então, com os olhos esbugalhados,berrou, compreendendo enfim a traição:
-É veneno!"

Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.24.


Eu gostei desta excerto porque foi bizarra a morte de Rostabal.
O crime não compensa!...



Recolha e comentário de Paulo Ferreira


* Obra do acervo da Biblioteca desta escola

"O tesouro", versão recontada V

"Mandaria rezar missas ricas pelos irmãos e diria que tinham morrido, como deviam morrer os fidalgos, a lutar contra os Mouros."

Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.22.


Eu gostei deste excerto deste conto, porque a personagem pensava que já estava rico e, afinal, o que lhe tocou foi a mesma sorte dos irmãos...


Recolha e comentário de Fernando Silva


* Obra do acervo da Biblioteca desta escola

"O Tesouro", versão recontada IV

"Anoiteceu.Um bando negro de corvos grasnava.
Os três irmaõs jaziam mortos.O primeiro entre os silvados, o segundo na fonte,o terceiro,sobre a erva.
O tesouro ainda lá está,na espessura da mata."


Soares, Luísa Ducla-Seis contos de Eça de Queirós.
Lisboa:Ed.Terramar, 2007,p.24.


Eu gostei deste excerto do conto porque todos os três tiveram o castigo merecido!...

Recolha e comentário de José António Ferreira

* Obra do acervo da Biblioteca desta escola

"O Tesouro", versão recontada III

"Numa cova da rocha,entre os pinheiros, um velho cofre de ferro.Tinha três fechaduras,cada qual com sua chave.Abriram-no.Por dentro,até às bordas,estava cheio de moedas de ouro!
Que haviam de fazer?
Rui, gordo e ruivo, era o mais sensato.Propôs que o tesouro pertencesse aos três."

Soares,Luísa Ducla- Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa:ed.Terramar,2007,p.18.



Eu gostei deste excerto do conto porque acho que as três chaves do cofre têm algo de divino!...


Recolha e comentário de Maria do Carmo Costa

* Obra do acervo da Biblioteca desta escola

"O Tesouro", versão recontada II

"Tiraram-lhe a chave do peito.
Rostabal, depois do crime, atirou a arma para o chão e foi lavar-se, pois estava todo salpicado de sangue."

Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, pp.21-22.



Eu gostei deste excerto do conto porque descreve a maneira de ser dos fidalgos desta história: dois dos irmãos tiraram a chave ao outro, já morto, e Rostabal, depois do crime, ainda atirou a arma para o chão!

Recolha e comentário de Agusto Silva


* Obra do acervo da Biblioteca desta escola

"O Tesouro", versão recontada I

"- Manos! O cofre tem três chaves. Eu levo a minha...
- Também quero a minha! - rosnou Rostabal.
Rui foi da mesma opinião.
Cada um, em silêncio, agachado diante do cofre, trancou a sua fechadura.
E Guanes, ligeiro, saltou para a égua, cantarolando."

Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.20.


Eu gostei deste excerto do conto porque mostra os três irmãos a discutirem por quererem o tesouro só para si.

Recolha e comentário de Ana Cidália Pereira

* Obra do acervo da Biblioteca desta escola