Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, e marca
de todos os enganos, faria quase tudo
Por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
E guardaria calados fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe e, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.
Pedreira, Maria do Rosário in Cem Poemas Portugueses no Feminino - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2005, pp. 203-204.
Recolha de Fernando Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
sábado, 2 de maio de 2009
"Figuinho da capa rota", Matilde Rosa Araújo
Figuinho da capa rota
É tão pobre e tão rotinho;
Figuinho da capa rota
Foi rota devagarinho
Figuinho da capa rota,
Ai quem te quer almoçar
Figuinho da capa rota
Eu nem o posso provar…
Figuinho da capa rota,
Verde nos primeiros tempos
Veio o Sol e veio a Lua,
Vieram chuvas e ventos.
Figuinho da capa rota,
Que nasceu da mãe-figueira,
Teve sóis e teve luar,
Pássaros à sua beira.
Figuinho da capa rota
Bicado pelos passarinhos:
Figuinho da capa rota
Ninguém lhe põe remendinhos.
Figuinho da capa rota
Tornou-se da cor do mel;
O tempo veio rompê-lo,
Rasgou-se como papel…
Mas agora a mãe-figueira
Está com folhas e sem fruto,
Que o verde é sua maneira
Muito simples de pôr luto.
Araújo, Matilde Rosa , Livro da Tila.
Coimbra: Atlântida Editora, 1973,p.73
Recolha: Maria do Carmo Costa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
É tão pobre e tão rotinho;
Figuinho da capa rota
Foi rota devagarinho
Figuinho da capa rota,
Ai quem te quer almoçar
Figuinho da capa rota
Eu nem o posso provar…
Figuinho da capa rota,
Verde nos primeiros tempos
Veio o Sol e veio a Lua,
Vieram chuvas e ventos.
Figuinho da capa rota,
Que nasceu da mãe-figueira,
Teve sóis e teve luar,
Pássaros à sua beira.
Figuinho da capa rota
Bicado pelos passarinhos:
Figuinho da capa rota
Ninguém lhe põe remendinhos.
Figuinho da capa rota
Tornou-se da cor do mel;
O tempo veio rompê-lo,
Rasgou-se como papel…
Mas agora a mãe-figueira
Está com folhas e sem fruto,
Que o verde é sua maneira
Muito simples de pôr luto.
Araújo, Matilde Rosa , Livro da Tila.
Coimbra: Atlântida Editora, 1973,p.73
Recolha: Maria do Carmo Costa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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Poetisa Portuguesa
quinta-feira, 30 de abril de 2009
"Caixinha de Música", Matilde Rosa Araújo
Grilo, grilarim,
Tens um canto azul
Na noite de cetim!
Cigarra, cigarraia,
Tens um canto branco
No dia de cambraia!
Formiga, miga, miga,
Só tu cantas os nadas
Do silêncio do sol,
Das estrelas caladas...
Araújo,Matilde Rosa - Livro da Tila. Coimbra:Atlântida Editora,1973,p.41
Recolha de Maria do Carmo Costa e Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Tens um canto azul
Na noite de cetim!
Cigarra, cigarraia,
Tens um canto branco
No dia de cambraia!
Formiga, miga, miga,
Só tu cantas os nadas
Do silêncio do sol,
Das estrelas caladas...
Araújo,Matilde Rosa - Livro da Tila. Coimbra:Atlântida Editora,1973,p.41
Recolha de Maria do Carmo Costa e Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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sexta-feira, 24 de abril de 2009
"25 de Abril", Sophia de Mello Breyner Andresen
Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Andresen, Sophia de Mello Breyner in Abril 30 Anos 30 Poemas. Fanha, José e Letria, José Jorge (org.). Porto: Campo das Letras, 2004, p.9
Recolha: Maria José Fontes (Formadora de Linguagem e Comunicação)
o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Andresen, Sophia de Mello Breyner in Abril 30 Anos 30 Poemas. Fanha, José e Letria, José Jorge (org.). Porto: Campo das Letras, 2004, p.9
Recolha: Maria José Fontes (Formadora de Linguagem e Comunicação)
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"Tila", Matilde Rosa Araújo
Com tanto amor te sonhei,
Com tanto amor eu te quis,
Que do pranto que chorei
Nasceste flor de raiz!
Araújo, Matilde Rosa - Livro da Tila.
Coimbra: Atlântida, 1973, p.73
Recolha de Maria do Carmo Costa
*Obra do acervo da Biblioteca desta Escola
Com tanto amor eu te quis,
Que do pranto que chorei
Nasceste flor de raiz!
Araújo, Matilde Rosa - Livro da Tila.
Coimbra: Atlântida, 1973, p.73
Recolha de Maria do Carmo Costa
*Obra do acervo da Biblioteca desta Escola
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