"Anoiteceu.Um bando negro de corvos grasnava.
Os três irmaõs jaziam mortos.O primeiro entre os silvados, o segundo na fonte,o terceiro,sobre a erva.
O tesouro ainda lá está,na espessura da mata."
Soares, Luísa Ducla-Seis contos de Eça de Queirós.
Lisboa:Ed.Terramar, 2007,p.24.
Eu gostei deste excerto do conto porque todos os três tiveram o castigo merecido!...
Recolha e comentário de José António Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
sexta-feira, 15 de maio de 2009
"O Tesouro", versão recontada III
"Numa cova da rocha,entre os pinheiros, um velho cofre de ferro.Tinha três fechaduras,cada qual com sua chave.Abriram-no.Por dentro,até às bordas,estava cheio de moedas de ouro!
Que haviam de fazer?
Rui, gordo e ruivo, era o mais sensato.Propôs que o tesouro pertencesse aos três."
Soares,Luísa Ducla- Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa:ed.Terramar,2007,p.18.
Eu gostei deste excerto do conto porque acho que as três chaves do cofre têm algo de divino!...
Recolha e comentário de Maria do Carmo Costa
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Que haviam de fazer?
Rui, gordo e ruivo, era o mais sensato.Propôs que o tesouro pertencesse aos três."
Soares,Luísa Ducla- Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa:ed.Terramar,2007,p.18.
Eu gostei deste excerto do conto porque acho que as três chaves do cofre têm algo de divino!...
Recolha e comentário de Maria do Carmo Costa
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"O Tesouro", versão recontada II
"Tiraram-lhe a chave do peito.
Rostabal, depois do crime, atirou a arma para o chão e foi lavar-se, pois estava todo salpicado de sangue."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, pp.21-22.
Eu gostei deste excerto do conto porque descreve a maneira de ser dos fidalgos desta história: dois dos irmãos tiraram a chave ao outro, já morto, e Rostabal, depois do crime, ainda atirou a arma para o chão!
Recolha e comentário de Agusto Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Rostabal, depois do crime, atirou a arma para o chão e foi lavar-se, pois estava todo salpicado de sangue."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, pp.21-22.
Eu gostei deste excerto do conto porque descreve a maneira de ser dos fidalgos desta história: dois dos irmãos tiraram a chave ao outro, já morto, e Rostabal, depois do crime, ainda atirou a arma para o chão!
Recolha e comentário de Agusto Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"O Tesouro", versão recontada I
"- Manos! O cofre tem três chaves. Eu levo a minha...
- Também quero a minha! - rosnou Rostabal.
Rui foi da mesma opinião.
Cada um, em silêncio, agachado diante do cofre, trancou a sua fechadura.
E Guanes, ligeiro, saltou para a égua, cantarolando."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.20.
Eu gostei deste excerto do conto porque mostra os três irmãos a discutirem por quererem o tesouro só para si.
Recolha e comentário de Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
- Também quero a minha! - rosnou Rostabal.
Rui foi da mesma opinião.
Cada um, em silêncio, agachado diante do cofre, trancou a sua fechadura.
E Guanes, ligeiro, saltou para a égua, cantarolando."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.20.
Eu gostei deste excerto do conto porque mostra os três irmãos a discutirem por quererem o tesouro só para si.
Recolha e comentário de Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Capital Mundial do Carnaval
Em Fevereiro de cada ano a movimentada cidade do Rio de Janeiro no Brasil, festeja o Carnaval ao longo de cinco dias, festeja-se com música, dança e muitos desfiles. Os bailarinos fazem concursos de samba pelas ruas da cidade.
Dalby, Elizabeth - A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia. Porto: Porto Editora, 2004, p.25
Queres saber que outras celebrações são referidas nesta obra?
É só pesquisares!
Não vais ficar desiludido(a)!!!...
Recolha de Augusto Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Dalby, Elizabeth - A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia. Porto: Porto Editora, 2004, p.25
Queres saber que outras celebrações são referidas nesta obra?
É só pesquisares!
Não vais ficar desiludido(a)!!!...
Recolha de Augusto Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
"Lembrava-se dele", Maria do Rosário Pedreira
Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, e marca
de todos os enganos, faria quase tudo
Por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
E guardaria calados fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe e, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.
Pedreira, Maria do Rosário in Cem Poemas Portugueses no Feminino - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2005, pp. 203-204.
Recolha de Fernando Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, e marca
de todos os enganos, faria quase tudo
Por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
E guardaria calados fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe e, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.
Pedreira, Maria do Rosário in Cem Poemas Portugueses no Feminino - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2005, pp. 203-204.
Recolha de Fernando Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
"Aviso Para Solteiros Que Quiserem Viver", Tomás Pinto Brandão
Todo o solteiro que este mundo logra
E por casado assezoado berra
Considere que peste, fome e guerra
O diabo lhe dá em dar-lhe sogra.
A doce liberdade se malogra
De todo o paraíso se desterra,
E de viver enfim os termos erra,
Porque em vida se se enterra se se ensogra.
Terá sogra ab initio et ante bruxa,
Terá sogra ad perpectuam rei tarascia,
Sogra per omnia secula proluxa;
Que é peste no contágio que lhe encasca,
É fome na miséria que lhe embuxa,
É guerra no dragão que lhe enfrasca.
Tomás Pinto Brandão in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
E por casado assezoado berra
Considere que peste, fome e guerra
O diabo lhe dá em dar-lhe sogra.
A doce liberdade se malogra
De todo o paraíso se desterra,
E de viver enfim os termos erra,
Porque em vida se se enterra se se ensogra.
Terá sogra ab initio et ante bruxa,
Terá sogra ad perpectuam rei tarascia,
Sogra per omnia secula proluxa;
Que é peste no contágio que lhe encasca,
É fome na miséria que lhe embuxa,
É guerra no dragão que lhe enfrasca.
Tomás Pinto Brandão in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"Homem", Sophia de Mello Breyner Andresen
Era uma tarde do fim de Novembro, já
sem nenhum Outono.
A cidade erguia as suas paredes de pedras escuras. O céu estava alto, desolado,cor de frio. OS homens caminhavam empurrando-se uns aos outros nos passeios. Os carros passavam depressa.
Deviam ser quatro horas da tarde dum
dia sem sol nem chuva.
Havia muita gente na rua naquele dia.
Eu caminhava no passeio, depressa. A certa altura encontrei-me atrás dum homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É a beleza de uma madrugada de Verão, a beleza duma rosa, a beleza do orvalho, unidas à incrível beleza duma inocência humana.
Andresen,Sophia de Mello Breyner , O Homem in "Contos Exemplares".Lisboa: Contemporânea/Portugália Ed., s/d, pp.153-154
Recolha de Ana Cidália Pereira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
sem nenhum Outono.
A cidade erguia as suas paredes de pedras escuras. O céu estava alto, desolado,cor de frio. OS homens caminhavam empurrando-se uns aos outros nos passeios. Os carros passavam depressa.
Deviam ser quatro horas da tarde dum
dia sem sol nem chuva.
Havia muita gente na rua naquele dia.
Eu caminhava no passeio, depressa. A certa altura encontrei-me atrás dum homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É a beleza de uma madrugada de Verão, a beleza duma rosa, a beleza do orvalho, unidas à incrível beleza duma inocência humana.
Andresen,Sophia de Mello Breyner , O Homem in "Contos Exemplares".Lisboa: Contemporânea/Portugália Ed., s/d, pp.153-154
Recolha de Ana Cidália Pereira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
"LENGA-LENGA", Sebastião da Gama
7/10/1946
Não quero ser teu mais constante
pensamento.
Nem sequer,meu Amor!,teu sentimento
mais instante.
Basta-me ser,
a certas horas de certos dias,
o Sol que vai tuas mãos frias
aquecer.
Basta-me ser,a certas horas,
quando,subtil,a Mágoa vem,
aquela lágrima que choras
e te faz bem.
Basta-me ser aquele nome
naquela carta daquela tarde
em que tu tinhas sede e fome
de que eu viesse acompanhar-te.
(Se eu, meu Amor!,não fosse vivo,
quem sabe lá se existiria
a tua cândida alegria
que é sem princípio e sem motivo?...)
(excerto)
Gama, Sebastião da , "Cabo da Boa Esperança".
Mem Martins: Edições Arrábida, 2007,p.104
Recolha de Augusto Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Não quero ser teu mais constante
pensamento.
Nem sequer,meu Amor!,teu sentimento
mais instante.
Basta-me ser,
a certas horas de certos dias,
o Sol que vai tuas mãos frias
aquecer.
Basta-me ser,a certas horas,
quando,subtil,a Mágoa vem,
aquela lágrima que choras
e te faz bem.
Basta-me ser aquele nome
naquela carta daquela tarde
em que tu tinhas sede e fome
de que eu viesse acompanhar-te.
(Se eu, meu Amor!,não fosse vivo,
quem sabe lá se existiria
a tua cândida alegria
que é sem princípio e sem motivo?...)
(excerto)
Gama, Sebastião da , "Cabo da Boa Esperança".
Mem Martins: Edições Arrábida, 2007,p.104
Recolha de Augusto Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"Davam grandes passeios aos Domingos", José Régio
II
Grande amor? Um pouco mais devagar.Ao fim de meses em Portalegre e em casa de sua tia Alice, achava Rosa Maria que o primo Fernando era simplesmente a pessoa mais divertida da casa. Ora sê-lo não implicava extraordinárias vantagens pessoais. Todas as outras eram, talvez, mais interessantes;e pela certa mais importantes, ou mais distintas;ou mais sérias... Precisamente por isso; menos divertidas na desautorizada opinião de Rosa Maria. Significará isto que Rosa Maria fosse uma rapariga fútil? Aguardemos os acontecimentos.
O caso é ter cada pessoa da casa um papel que certas conveniências ou circunstâncias lhe haviam distribuído, e cada pessoa desempenhava o mais escrupulosamente possível.
Régio, José , "Davam grandes passeios ao domingo", Lisboa: Livros Unibolso, s/d, p.17
Recolha de Paulo Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Grande amor? Um pouco mais devagar.Ao fim de meses em Portalegre e em casa de sua tia Alice, achava Rosa Maria que o primo Fernando era simplesmente a pessoa mais divertida da casa. Ora sê-lo não implicava extraordinárias vantagens pessoais. Todas as outras eram, talvez, mais interessantes;e pela certa mais importantes, ou mais distintas;ou mais sérias... Precisamente por isso; menos divertidas na desautorizada opinião de Rosa Maria. Significará isto que Rosa Maria fosse uma rapariga fútil? Aguardemos os acontecimentos.
O caso é ter cada pessoa da casa um papel que certas conveniências ou circunstâncias lhe haviam distribuído, e cada pessoa desempenhava o mais escrupulosamente possível.
Régio, José , "Davam grandes passeios ao domingo", Lisboa: Livros Unibolso, s/d, p.17
Recolha de Paulo Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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Quem Tem Farelos?(Excerto), Gil Vicente
Velha:
Rogo à Virgem Maria,
Que quem me fez erguer da cama,
que má cama e má dama,
e má lama negra e fria.
Má mazela e má courela,
mau regato e mau ribeiro,
mau silvado e mau outeiro,
má carreira e má portela.
Mau cortiço e mau sumiço,
maus lobos e maus lagartos,
nunca de pão sejam fartos!
Mau criado, mau serviço,
má montanha, má companha,
má aranha, má pousada,
má achada,má entrada,
má aranha, má façanha.
Má escrença, má doença,
má doairo, má fadairo,
mau vigairo,mau trintairo,
má demanda,má sentença,
mau amigo e mau abrigo,
mau vinho e mau vizinho,
mau meirinho e mau caminho,
mau trigo e mau castigo.
Irá de monte e de fonte,
irá de serpe de drago,
perigo de dia aziago
em rio de monte a monte,
má morte, má corte, má sorte,
má dado,má fado, má prado,
mau criado, mau mandado,
mau conforto te conforte.
Rogo às dores de Deus,
que má caída lhe caia,
e má saída lhe saia
trama lhe venha dos céus.
Jesu! Que escuro que faz!
Ó mártere San Sandorninho!
Que má rua e má caminho!
Cego seja quem m'isto faz!
Ui! Amara, percudida!
Jesú,a que m'eu encandeio!
Esta praga donde veio?
Deus lhe apare negra vida!
Vicente, Gil in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.15-17.
Recolha de José António Ferreira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Rogo à Virgem Maria,
Que quem me fez erguer da cama,
que má cama e má dama,
e má lama negra e fria.
Má mazela e má courela,
mau regato e mau ribeiro,
mau silvado e mau outeiro,
má carreira e má portela.
Mau cortiço e mau sumiço,
maus lobos e maus lagartos,
nunca de pão sejam fartos!
Mau criado, mau serviço,
má montanha, má companha,
má aranha, má pousada,
má achada,má entrada,
má aranha, má façanha.
Má escrença, má doença,
má doairo, má fadairo,
mau vigairo,mau trintairo,
má demanda,má sentença,
mau amigo e mau abrigo,
mau vinho e mau vizinho,
mau meirinho e mau caminho,
mau trigo e mau castigo.
Irá de monte e de fonte,
irá de serpe de drago,
perigo de dia aziago
em rio de monte a monte,
má morte, má corte, má sorte,
má dado,má fado, má prado,
mau criado, mau mandado,
mau conforto te conforte.
Rogo às dores de Deus,
que má caída lhe caia,
e má saída lhe saia
trama lhe venha dos céus.
Jesu! Que escuro que faz!
Ó mártere San Sandorninho!
Que má rua e má caminho!
Cego seja quem m'isto faz!
Ui! Amara, percudida!
Jesú,a que m'eu encandeio!
Esta praga donde veio?
Deus lhe apare negra vida!
Vicente, Gil in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.15-17.
Recolha de José António Ferreira
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Liberdade, Fernando Pessoa
Ai que prazer.
Não cumpir um dever.
Ter um livro para ler.
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
de tão naturalmente matinal,
como tem tempo
não tem pressa...
Livros são papeis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta.
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Pessoa, Fernando in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
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Não cumpir um dever.
Ter um livro para ler.
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
de tão naturalmente matinal,
como tem tempo
não tem pressa...
Livros são papeis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta.
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Pessoa, Fernando in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
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sábado, 2 de maio de 2009
"Figuinho da capa rota", Matilde Rosa Araújo
Figuinho da capa rota
É tão pobre e tão rotinho;
Figuinho da capa rota
Foi rota devagarinho
Figuinho da capa rota,
Ai quem te quer almoçar
Figuinho da capa rota
Eu nem o posso provar…
Figuinho da capa rota,
Verde nos primeiros tempos
Veio o Sol e veio a Lua,
Vieram chuvas e ventos.
Figuinho da capa rota,
Que nasceu da mãe-figueira,
Teve sóis e teve luar,
Pássaros à sua beira.
Figuinho da capa rota
Bicado pelos passarinhos:
Figuinho da capa rota
Ninguém lhe põe remendinhos.
Figuinho da capa rota
Tornou-se da cor do mel;
O tempo veio rompê-lo,
Rasgou-se como papel…
Mas agora a mãe-figueira
Está com folhas e sem fruto,
Que o verde é sua maneira
Muito simples de pôr luto.
Araújo, Matilde Rosa , Livro da Tila.
Coimbra: Atlântida Editora, 1973,p.73
Recolha: Maria do Carmo Costa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
É tão pobre e tão rotinho;
Figuinho da capa rota
Foi rota devagarinho
Figuinho da capa rota,
Ai quem te quer almoçar
Figuinho da capa rota
Eu nem o posso provar…
Figuinho da capa rota,
Verde nos primeiros tempos
Veio o Sol e veio a Lua,
Vieram chuvas e ventos.
Figuinho da capa rota,
Que nasceu da mãe-figueira,
Teve sóis e teve luar,
Pássaros à sua beira.
Figuinho da capa rota
Bicado pelos passarinhos:
Figuinho da capa rota
Ninguém lhe põe remendinhos.
Figuinho da capa rota
Tornou-se da cor do mel;
O tempo veio rompê-lo,
Rasgou-se como papel…
Mas agora a mãe-figueira
Está com folhas e sem fruto,
Que o verde é sua maneira
Muito simples de pôr luto.
Araújo, Matilde Rosa , Livro da Tila.
Coimbra: Atlântida Editora, 1973,p.73
Recolha: Maria do Carmo Costa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Miscelânia Queirosiana
«Vi-a numa noite doce,
Em que o rouxinol cantava,
Luminoso pavilhão;
Era Sintra!Sonho lindo!
O aroma das giestas
E a minha voz,uma prece
De louvor ao Ramalhão.»
********************
«Passou o Conde Almirante,
Na sua galé do mar.
Tantos remos hã, por baixo,
Que não se podem contar.»
Quem me quer a mim servir,
Quem quer o meu pão ganhar,
Há-de levar esta carta
A Dom Clarim d'Além-mar.»
Queirós,Eça de , A Tragédia da Rua das Flores.
Lisboa: Edições «Livros do Brasil»,1984, pp. 92, 207
Recolha de Maria do Carmo Costa
Em que o rouxinol cantava,
Luminoso pavilhão;
Era Sintra!Sonho lindo!
O aroma das giestas
E a minha voz,uma prece
De louvor ao Ramalhão.»
********************
«Passou o Conde Almirante,
Na sua galé do mar.
Tantos remos hã, por baixo,
Que não se podem contar.»
Quem me quer a mim servir,
Quem quer o meu pão ganhar,
Há-de levar esta carta
A Dom Clarim d'Além-mar.»
Queirós,Eça de , A Tragédia da Rua das Flores.
Lisboa: Edições «Livros do Brasil»,1984, pp. 92, 207
Recolha de Maria do Carmo Costa
"Quadras", Augusto Gil
Venho dum baile. Horas mortas.
Que impressões trouxe gravadas!
Os pais a verem às portas
Se as filhas são procuradas...
Quando tu foste gerada
Pôs-se o Sol nasceu a Lua.
Estava tua mãe deitada,
Andava teu pai na rua.
Nos registos paroquiais
Há muitas páginas cheias
Com pais apenas legais
De criancinhas alheias...
Quando falaste em casar,
Certa noite ardente, escura,
Deitaste sem o pensar
Água fria na fervura.
Nestas tempos dissolutos
Toda a mulher é vendida,
Umas vendem-se aos minutos
-As outras por toda a vida.
Tantos namoros e ao cabo
Não houve um só que adregasse.
Casa-te com o diabo...
Para se ver o que nasce.
Gil, Augusto ,in Cem Poemas do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.64-65.
Recolha de Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Que impressões trouxe gravadas!
Os pais a verem às portas
Se as filhas são procuradas...
Quando tu foste gerada
Pôs-se o Sol nasceu a Lua.
Estava tua mãe deitada,
Andava teu pai na rua.
Nos registos paroquiais
Há muitas páginas cheias
Com pais apenas legais
De criancinhas alheias...
Quando falaste em casar,
Certa noite ardente, escura,
Deitaste sem o pensar
Água fria na fervura.
Nestas tempos dissolutos
Toda a mulher é vendida,
Umas vendem-se aos minutos
-As outras por toda a vida.
Tantos namoros e ao cabo
Não houve um só que adregasse.
Casa-te com o diabo...
Para se ver o que nasce.
Gil, Augusto ,in Cem Poemas do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.64-65.
Recolha de Ana Cidália Pereira
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A GRANDE MURALHA DA CHINA
Os Chineses construíram uma fabulosa muralha há centenas de anos atrás para proteger o seu país dos inimigos. A grande Muralha da China atravessa desrtos, montanhas e pradarias ao longo da fronteira norte da China. Esta muralha é tão longa que até pode ser vista do Espaço.
A grande Muralha da China é feita em pedra. Estas torres de vigia ajudaram os soldados a ver a chegada dos inimigos.
Dalby, Elizabeth - A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia. Porto: Porto Editora, 2004, p.29
Recolha de Augusto Silva
* Obra da Biblioteca desta escola
SABES VER EXACTAMENTE ONDE SE SITUA ESTA "MARAVILHA" DO MUNDO NUM MAPA?
A grande Muralha da China é feita em pedra. Estas torres de vigia ajudaram os soldados a ver a chegada dos inimigos.
Dalby, Elizabeth - A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia. Porto: Porto Editora, 2004, p.29
Recolha de Augusto Silva
* Obra da Biblioteca desta escola
SABES VER EXACTAMENTE ONDE SE SITUA ESTA "MARAVILHA" DO MUNDO NUM MAPA?
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"Amor, eu quando penso", Miguel de Cervantes
Amor,eu quando penso
no mal que tu me dás,terrivel,forte,
alegre corro à morte,
para assim acabar meu mal imenso.
Mas quando chego ao passo,
que é meu porto no mar desta agonia,
sinto tal alegria
que a vida se revolta e não o passo.
Assi o viver me mata,
pois que a morte me torna a dar a vida!
Condição nunca ouvida,
a que comigo vida e morte trata!
Cervantes, Miguel de - D. Quixote de La Mancha. Lisboa: Público, 2004, p.768
Recolha de Paulo Ferreira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
no mal que tu me dás,terrivel,forte,
alegre corro à morte,
para assim acabar meu mal imenso.
Mas quando chego ao passo,
que é meu porto no mar desta agonia,
sinto tal alegria
que a vida se revolta e não o passo.
Assi o viver me mata,
pois que a morte me torna a dar a vida!
Condição nunca ouvida,
a que comigo vida e morte trata!
Cervantes, Miguel de - D. Quixote de La Mancha. Lisboa: Público, 2004, p.768
Recolha de Paulo Ferreira
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Poesia,
Sentimentos,
Sofrimento
"Todas as cartas de amor são ridículas", Álvaro de Campos
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
têm de ser
Ridículas.
Mas,afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
cartas de amor
É que são
Ridículas.
Fernando Pessoa/Álvaro de Campos in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
têm de ser
Ridículas.
Mas,afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
cartas de amor
É que são
Ridículas.
Fernando Pessoa/Álvaro de Campos in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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Fernando Pessoa,
Literatura Portuguesa,
Poesia,
Poeta Português
"Caixinha de Música", Matilde Rosa Araújo
Grilo, grilarim,
Tens um canto azul
Na noite de cetim!
Cigarra, cigarraia,
Tens um canto branco
No dia de cambraia!
Formiga, miga, miga,
Só tu cantas os nadas
Do silêncio do sol,
Das estrelas caladas...
Araújo,Matilde Rosa - Livro da Tila. Coimbra:Atlântida Editora,1973,p.41
Recolha de Maria do Carmo Costa e Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Tens um canto azul
Na noite de cetim!
Cigarra, cigarraia,
Tens um canto branco
No dia de cambraia!
Formiga, miga, miga,
Só tu cantas os nadas
Do silêncio do sol,
Das estrelas caladas...
Araújo,Matilde Rosa - Livro da Tila. Coimbra:Atlântida Editora,1973,p.41
Recolha de Maria do Carmo Costa e Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Etiquetas:
animais,
Literatura Estrangeira,
Matilde Rosa Araújo,
Natureza,
Poesia,
Poetisa Portuguesa
Miscelânea Camoniana
Foi-se gastando a esperança,
Fui entendendo os enganos;
do mal ficaram meus danos
e do bem só a lembrança.
********
Senhor,não vos agasteis,
porque Deus vos proverá;
e se mais saber quereis,
nas costas deste lereis
as iguarias que há.
********
Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói,e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
********
Mudam-se os tempos,mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
********
Julga-me a gente toda por perdido,
vendo-me tão entregue a meu cuidado,
andar sempre dos homens apartado,
e dos tratos humanos esquecido.
********
Camões, Luís de - Poesia Lírica. Lisboa: Ulisseia,1980, pp.57,64,82,102,108
Recolha de Maria do Carmo Costa
DESCOBRE O RESTO DESTES POEMAS!!!...
Fui entendendo os enganos;
do mal ficaram meus danos
e do bem só a lembrança.
********
Senhor,não vos agasteis,
porque Deus vos proverá;
e se mais saber quereis,
nas costas deste lereis
as iguarias que há.
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Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói,e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
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Mudam-se os tempos,mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
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Julga-me a gente toda por perdido,
vendo-me tão entregue a meu cuidado,
andar sempre dos homens apartado,
e dos tratos humanos esquecido.
********
Camões, Luís de - Poesia Lírica. Lisboa: Ulisseia,1980, pp.57,64,82,102,108
Recolha de Maria do Carmo Costa
DESCOBRE O RESTO DESTES POEMAS!!!...
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