Maria
Nascida no monte
À beira da estrada
Maria
Bebida na fonte
Nas ervas criada
Talvez
Que Maria se espante
De ser tão louvada
Mas não
Quem por ela se prende
De a ver tão prendada
Maria
Nascida no trevo
Criada no trigo
Quem dera
Maria que o trevo
Casara comigo
Maria
De todos a primeira
De todas menina
Maria
Soubera a cigana
Ler a tua sina
Não sei
Se deveras se engana
Quem demais se afina
Maria
Sol da madrugada
Flor de tangerina
José Afonso
Recolha colectiva dos formandos deste curso e da Formadora de Linguagem e Comunicação
sexta-feira, 29 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
"O Tesouro", Eça de Queirós (versão original)
I
Os três irmãos de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram então, em todo o reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados.
Nos paços de Medranhos, a que o vento da serra levara vidraça e telha, passavam eles as tardes desse Inverno, engelhados nos seus pelotes de camelão, batendo as solas rotas sobre as lajes da cozinha, diante da vasta lareira negra, onde desde muito não estalava lume, nem fervia a panela de ferro.
*Queirós, Eça - "O Tesouro" in Contos.
Porto: Porto Ed., 2003, p.97
Assim começa este conto belíssimo. Aqui se fala de ganância e mesquinhez, mas também de almas humanas de outros tempos, tão minuciosa e precisamente retratadas , que esta bem podia ser uma história dos nossos dias...
Recolha e comentário da Formadora de Linguagem e Comunicação, Maria José Fontes
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola.
Os três irmãos de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram então, em todo o reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados.
Nos paços de Medranhos, a que o vento da serra levara vidraça e telha, passavam eles as tardes desse Inverno, engelhados nos seus pelotes de camelão, batendo as solas rotas sobre as lajes da cozinha, diante da vasta lareira negra, onde desde muito não estalava lume, nem fervia a panela de ferro.
*Queirós, Eça - "O Tesouro" in Contos.
Porto: Porto Ed., 2003, p.97
Assim começa este conto belíssimo. Aqui se fala de ganância e mesquinhez, mas também de almas humanas de outros tempos, tão minuciosa e precisamente retratadas , que esta bem podia ser uma história dos nossos dias...
Recolha e comentário da Formadora de Linguagem e Comunicação, Maria José Fontes
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola.
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"O Tesouro", versão recontada VI
"Suava, tremia.
-Socorro! Acudam-me! Guanes! Rostabal!
Quem lhe podia valer?
Cambaleou até à fonte.
Mas a água não apagava aquele lume.
Recuou, caiu para cima da relva. Tentou levantar-se.
Então, com os olhos esbugalhados,berrou, compreendendo enfim a traição:
-É veneno!"
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.24.
Eu gostei desta excerto porque foi bizarra a morte de Rostabal.
O crime não compensa!...
Recolha e comentário de Paulo Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
-Socorro! Acudam-me! Guanes! Rostabal!
Quem lhe podia valer?
Cambaleou até à fonte.
Mas a água não apagava aquele lume.
Recuou, caiu para cima da relva. Tentou levantar-se.
Então, com os olhos esbugalhados,berrou, compreendendo enfim a traição:
-É veneno!"
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.24.
Eu gostei desta excerto porque foi bizarra a morte de Rostabal.
O crime não compensa!...
Recolha e comentário de Paulo Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"O tesouro", versão recontada V
"Mandaria rezar missas ricas pelos irmãos e diria que tinham morrido, como deviam morrer os fidalgos, a lutar contra os Mouros."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.22.
Eu gostei deste excerto deste conto, porque a personagem pensava que já estava rico e, afinal, o que lhe tocou foi a mesma sorte dos irmãos...
Recolha e comentário de Fernando Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.22.
Eu gostei deste excerto deste conto, porque a personagem pensava que já estava rico e, afinal, o que lhe tocou foi a mesma sorte dos irmãos...
Recolha e comentário de Fernando Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"O Tesouro", versão recontada IV
"Anoiteceu.Um bando negro de corvos grasnava.
Os três irmaõs jaziam mortos.O primeiro entre os silvados, o segundo na fonte,o terceiro,sobre a erva.
O tesouro ainda lá está,na espessura da mata."
Soares, Luísa Ducla-Seis contos de Eça de Queirós.
Lisboa:Ed.Terramar, 2007,p.24.
Eu gostei deste excerto do conto porque todos os três tiveram o castigo merecido!...
Recolha e comentário de José António Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Os três irmaõs jaziam mortos.O primeiro entre os silvados, o segundo na fonte,o terceiro,sobre a erva.
O tesouro ainda lá está,na espessura da mata."
Soares, Luísa Ducla-Seis contos de Eça de Queirós.
Lisboa:Ed.Terramar, 2007,p.24.
Eu gostei deste excerto do conto porque todos os três tiveram o castigo merecido!...
Recolha e comentário de José António Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"O Tesouro", versão recontada III
"Numa cova da rocha,entre os pinheiros, um velho cofre de ferro.Tinha três fechaduras,cada qual com sua chave.Abriram-no.Por dentro,até às bordas,estava cheio de moedas de ouro!
Que haviam de fazer?
Rui, gordo e ruivo, era o mais sensato.Propôs que o tesouro pertencesse aos três."
Soares,Luísa Ducla- Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa:ed.Terramar,2007,p.18.
Eu gostei deste excerto do conto porque acho que as três chaves do cofre têm algo de divino!...
Recolha e comentário de Maria do Carmo Costa
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Que haviam de fazer?
Rui, gordo e ruivo, era o mais sensato.Propôs que o tesouro pertencesse aos três."
Soares,Luísa Ducla- Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa:ed.Terramar,2007,p.18.
Eu gostei deste excerto do conto porque acho que as três chaves do cofre têm algo de divino!...
Recolha e comentário de Maria do Carmo Costa
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"O Tesouro", versão recontada II
"Tiraram-lhe a chave do peito.
Rostabal, depois do crime, atirou a arma para o chão e foi lavar-se, pois estava todo salpicado de sangue."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, pp.21-22.
Eu gostei deste excerto do conto porque descreve a maneira de ser dos fidalgos desta história: dois dos irmãos tiraram a chave ao outro, já morto, e Rostabal, depois do crime, ainda atirou a arma para o chão!
Recolha e comentário de Agusto Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Rostabal, depois do crime, atirou a arma para o chão e foi lavar-se, pois estava todo salpicado de sangue."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, pp.21-22.
Eu gostei deste excerto do conto porque descreve a maneira de ser dos fidalgos desta história: dois dos irmãos tiraram a chave ao outro, já morto, e Rostabal, depois do crime, ainda atirou a arma para o chão!
Recolha e comentário de Agusto Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"O Tesouro", versão recontada I
"- Manos! O cofre tem três chaves. Eu levo a minha...
- Também quero a minha! - rosnou Rostabal.
Rui foi da mesma opinião.
Cada um, em silêncio, agachado diante do cofre, trancou a sua fechadura.
E Guanes, ligeiro, saltou para a égua, cantarolando."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.20.
Eu gostei deste excerto do conto porque mostra os três irmãos a discutirem por quererem o tesouro só para si.
Recolha e comentário de Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
- Também quero a minha! - rosnou Rostabal.
Rui foi da mesma opinião.
Cada um, em silêncio, agachado diante do cofre, trancou a sua fechadura.
E Guanes, ligeiro, saltou para a égua, cantarolando."
Soares, Luísa Ducla - Seis Contos de Eça de Queirós.
Lisboa: Ed. Terramar, 2007, p.20.
Eu gostei deste excerto do conto porque mostra os três irmãos a discutirem por quererem o tesouro só para si.
Recolha e comentário de Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Capital Mundial do Carnaval
Em Fevereiro de cada ano a movimentada cidade do Rio de Janeiro no Brasil, festeja o Carnaval ao longo de cinco dias, festeja-se com música, dança e muitos desfiles. Os bailarinos fazem concursos de samba pelas ruas da cidade.
Dalby, Elizabeth - A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia. Porto: Porto Editora, 2004, p.25
Queres saber que outras celebrações são referidas nesta obra?
É só pesquisares!
Não vais ficar desiludido(a)!!!...
Recolha de Augusto Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Dalby, Elizabeth - A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia. Porto: Porto Editora, 2004, p.25
Queres saber que outras celebrações são referidas nesta obra?
É só pesquisares!
Não vais ficar desiludido(a)!!!...
Recolha de Augusto Silva
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
"Lembrava-se dele", Maria do Rosário Pedreira
Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, e marca
de todos os enganos, faria quase tudo
Por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
E guardaria calados fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe e, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.
Pedreira, Maria do Rosário in Cem Poemas Portugueses no Feminino - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2005, pp. 203-204.
Recolha de Fernando Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, e marca
de todos os enganos, faria quase tudo
Por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
E guardaria calados fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe e, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.
Pedreira, Maria do Rosário in Cem Poemas Portugueses no Feminino - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2005, pp. 203-204.
Recolha de Fernando Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
"Aviso Para Solteiros Que Quiserem Viver", Tomás Pinto Brandão
Todo o solteiro que este mundo logra
E por casado assezoado berra
Considere que peste, fome e guerra
O diabo lhe dá em dar-lhe sogra.
A doce liberdade se malogra
De todo o paraíso se desterra,
E de viver enfim os termos erra,
Porque em vida se se enterra se se ensogra.
Terá sogra ab initio et ante bruxa,
Terá sogra ad perpectuam rei tarascia,
Sogra per omnia secula proluxa;
Que é peste no contágio que lhe encasca,
É fome na miséria que lhe embuxa,
É guerra no dragão que lhe enfrasca.
Tomás Pinto Brandão in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
E por casado assezoado berra
Considere que peste, fome e guerra
O diabo lhe dá em dar-lhe sogra.
A doce liberdade se malogra
De todo o paraíso se desterra,
E de viver enfim os termos erra,
Porque em vida se se enterra se se ensogra.
Terá sogra ab initio et ante bruxa,
Terá sogra ad perpectuam rei tarascia,
Sogra per omnia secula proluxa;
Que é peste no contágio que lhe encasca,
É fome na miséria que lhe embuxa,
É guerra no dragão que lhe enfrasca.
Tomás Pinto Brandão in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"Homem", Sophia de Mello Breyner Andresen
Era uma tarde do fim de Novembro, já
sem nenhum Outono.
A cidade erguia as suas paredes de pedras escuras. O céu estava alto, desolado,cor de frio. OS homens caminhavam empurrando-se uns aos outros nos passeios. Os carros passavam depressa.
Deviam ser quatro horas da tarde dum
dia sem sol nem chuva.
Havia muita gente na rua naquele dia.
Eu caminhava no passeio, depressa. A certa altura encontrei-me atrás dum homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É a beleza de uma madrugada de Verão, a beleza duma rosa, a beleza do orvalho, unidas à incrível beleza duma inocência humana.
Andresen,Sophia de Mello Breyner , O Homem in "Contos Exemplares".Lisboa: Contemporânea/Portugália Ed., s/d, pp.153-154
Recolha de Ana Cidália Pereira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
sem nenhum Outono.
A cidade erguia as suas paredes de pedras escuras. O céu estava alto, desolado,cor de frio. OS homens caminhavam empurrando-se uns aos outros nos passeios. Os carros passavam depressa.
Deviam ser quatro horas da tarde dum
dia sem sol nem chuva.
Havia muita gente na rua naquele dia.
Eu caminhava no passeio, depressa. A certa altura encontrei-me atrás dum homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É a beleza de uma madrugada de Verão, a beleza duma rosa, a beleza do orvalho, unidas à incrível beleza duma inocência humana.
Andresen,Sophia de Mello Breyner , O Homem in "Contos Exemplares".Lisboa: Contemporânea/Portugália Ed., s/d, pp.153-154
Recolha de Ana Cidália Pereira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
"LENGA-LENGA", Sebastião da Gama
7/10/1946
Não quero ser teu mais constante
pensamento.
Nem sequer,meu Amor!,teu sentimento
mais instante.
Basta-me ser,
a certas horas de certos dias,
o Sol que vai tuas mãos frias
aquecer.
Basta-me ser,a certas horas,
quando,subtil,a Mágoa vem,
aquela lágrima que choras
e te faz bem.
Basta-me ser aquele nome
naquela carta daquela tarde
em que tu tinhas sede e fome
de que eu viesse acompanhar-te.
(Se eu, meu Amor!,não fosse vivo,
quem sabe lá se existiria
a tua cândida alegria
que é sem princípio e sem motivo?...)
(excerto)
Gama, Sebastião da , "Cabo da Boa Esperança".
Mem Martins: Edições Arrábida, 2007,p.104
Recolha de Augusto Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Não quero ser teu mais constante
pensamento.
Nem sequer,meu Amor!,teu sentimento
mais instante.
Basta-me ser,
a certas horas de certos dias,
o Sol que vai tuas mãos frias
aquecer.
Basta-me ser,a certas horas,
quando,subtil,a Mágoa vem,
aquela lágrima que choras
e te faz bem.
Basta-me ser aquele nome
naquela carta daquela tarde
em que tu tinhas sede e fome
de que eu viesse acompanhar-te.
(Se eu, meu Amor!,não fosse vivo,
quem sabe lá se existiria
a tua cândida alegria
que é sem princípio e sem motivo?...)
(excerto)
Gama, Sebastião da , "Cabo da Boa Esperança".
Mem Martins: Edições Arrábida, 2007,p.104
Recolha de Augusto Silva
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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"Davam grandes passeios aos Domingos", José Régio
II
Grande amor? Um pouco mais devagar.Ao fim de meses em Portalegre e em casa de sua tia Alice, achava Rosa Maria que o primo Fernando era simplesmente a pessoa mais divertida da casa. Ora sê-lo não implicava extraordinárias vantagens pessoais. Todas as outras eram, talvez, mais interessantes;e pela certa mais importantes, ou mais distintas;ou mais sérias... Precisamente por isso; menos divertidas na desautorizada opinião de Rosa Maria. Significará isto que Rosa Maria fosse uma rapariga fútil? Aguardemos os acontecimentos.
O caso é ter cada pessoa da casa um papel que certas conveniências ou circunstâncias lhe haviam distribuído, e cada pessoa desempenhava o mais escrupulosamente possível.
Régio, José , "Davam grandes passeios ao domingo", Lisboa: Livros Unibolso, s/d, p.17
Recolha de Paulo Ferreira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Grande amor? Um pouco mais devagar.Ao fim de meses em Portalegre e em casa de sua tia Alice, achava Rosa Maria que o primo Fernando era simplesmente a pessoa mais divertida da casa. Ora sê-lo não implicava extraordinárias vantagens pessoais. Todas as outras eram, talvez, mais interessantes;e pela certa mais importantes, ou mais distintas;ou mais sérias... Precisamente por isso; menos divertidas na desautorizada opinião de Rosa Maria. Significará isto que Rosa Maria fosse uma rapariga fútil? Aguardemos os acontecimentos.
O caso é ter cada pessoa da casa um papel que certas conveniências ou circunstâncias lhe haviam distribuído, e cada pessoa desempenhava o mais escrupulosamente possível.
Régio, José , "Davam grandes passeios ao domingo", Lisboa: Livros Unibolso, s/d, p.17
Recolha de Paulo Ferreira
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Quem Tem Farelos?(Excerto), Gil Vicente
Velha:
Rogo à Virgem Maria,
Que quem me fez erguer da cama,
que má cama e má dama,
e má lama negra e fria.
Má mazela e má courela,
mau regato e mau ribeiro,
mau silvado e mau outeiro,
má carreira e má portela.
Mau cortiço e mau sumiço,
maus lobos e maus lagartos,
nunca de pão sejam fartos!
Mau criado, mau serviço,
má montanha, má companha,
má aranha, má pousada,
má achada,má entrada,
má aranha, má façanha.
Má escrença, má doença,
má doairo, má fadairo,
mau vigairo,mau trintairo,
má demanda,má sentença,
mau amigo e mau abrigo,
mau vinho e mau vizinho,
mau meirinho e mau caminho,
mau trigo e mau castigo.
Irá de monte e de fonte,
irá de serpe de drago,
perigo de dia aziago
em rio de monte a monte,
má morte, má corte, má sorte,
má dado,má fado, má prado,
mau criado, mau mandado,
mau conforto te conforte.
Rogo às dores de Deus,
que má caída lhe caia,
e má saída lhe saia
trama lhe venha dos céus.
Jesu! Que escuro que faz!
Ó mártere San Sandorninho!
Que má rua e má caminho!
Cego seja quem m'isto faz!
Ui! Amara, percudida!
Jesú,a que m'eu encandeio!
Esta praga donde veio?
Deus lhe apare negra vida!
Vicente, Gil in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.15-17.
Recolha de José António Ferreira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Rogo à Virgem Maria,
Que quem me fez erguer da cama,
que má cama e má dama,
e má lama negra e fria.
Má mazela e má courela,
mau regato e mau ribeiro,
mau silvado e mau outeiro,
má carreira e má portela.
Mau cortiço e mau sumiço,
maus lobos e maus lagartos,
nunca de pão sejam fartos!
Mau criado, mau serviço,
má montanha, má companha,
má aranha, má pousada,
má achada,má entrada,
má aranha, má façanha.
Má escrença, má doença,
má doairo, má fadairo,
mau vigairo,mau trintairo,
má demanda,má sentença,
mau amigo e mau abrigo,
mau vinho e mau vizinho,
mau meirinho e mau caminho,
mau trigo e mau castigo.
Irá de monte e de fonte,
irá de serpe de drago,
perigo de dia aziago
em rio de monte a monte,
má morte, má corte, má sorte,
má dado,má fado, má prado,
mau criado, mau mandado,
mau conforto te conforte.
Rogo às dores de Deus,
que má caída lhe caia,
e má saída lhe saia
trama lhe venha dos céus.
Jesu! Que escuro que faz!
Ó mártere San Sandorninho!
Que má rua e má caminho!
Cego seja quem m'isto faz!
Ui! Amara, percudida!
Jesú,a que m'eu encandeio!
Esta praga donde veio?
Deus lhe apare negra vida!
Vicente, Gil in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.15-17.
Recolha de José António Ferreira
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
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Liberdade, Fernando Pessoa
Ai que prazer.
Não cumpir um dever.
Ter um livro para ler.
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
de tão naturalmente matinal,
como tem tempo
não tem pressa...
Livros são papeis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta.
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Pessoa, Fernando in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
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Não cumpir um dever.
Ter um livro para ler.
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
de tão naturalmente matinal,
como tem tempo
não tem pressa...
Livros são papeis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta.
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Pessoa, Fernando in Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003.
Recolha de Rosário Sousa
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sábado, 2 de maio de 2009
"Figuinho da capa rota", Matilde Rosa Araújo
Figuinho da capa rota
É tão pobre e tão rotinho;
Figuinho da capa rota
Foi rota devagarinho
Figuinho da capa rota,
Ai quem te quer almoçar
Figuinho da capa rota
Eu nem o posso provar…
Figuinho da capa rota,
Verde nos primeiros tempos
Veio o Sol e veio a Lua,
Vieram chuvas e ventos.
Figuinho da capa rota,
Que nasceu da mãe-figueira,
Teve sóis e teve luar,
Pássaros à sua beira.
Figuinho da capa rota
Bicado pelos passarinhos:
Figuinho da capa rota
Ninguém lhe põe remendinhos.
Figuinho da capa rota
Tornou-se da cor do mel;
O tempo veio rompê-lo,
Rasgou-se como papel…
Mas agora a mãe-figueira
Está com folhas e sem fruto,
Que o verde é sua maneira
Muito simples de pôr luto.
Araújo, Matilde Rosa , Livro da Tila.
Coimbra: Atlântida Editora, 1973,p.73
Recolha: Maria do Carmo Costa
*Obra do acervo da Biblioteca desta escola
É tão pobre e tão rotinho;
Figuinho da capa rota
Foi rota devagarinho
Figuinho da capa rota,
Ai quem te quer almoçar
Figuinho da capa rota
Eu nem o posso provar…
Figuinho da capa rota,
Verde nos primeiros tempos
Veio o Sol e veio a Lua,
Vieram chuvas e ventos.
Figuinho da capa rota,
Que nasceu da mãe-figueira,
Teve sóis e teve luar,
Pássaros à sua beira.
Figuinho da capa rota
Bicado pelos passarinhos:
Figuinho da capa rota
Ninguém lhe põe remendinhos.
Figuinho da capa rota
Tornou-se da cor do mel;
O tempo veio rompê-lo,
Rasgou-se como papel…
Mas agora a mãe-figueira
Está com folhas e sem fruto,
Que o verde é sua maneira
Muito simples de pôr luto.
Araújo, Matilde Rosa , Livro da Tila.
Coimbra: Atlântida Editora, 1973,p.73
Recolha: Maria do Carmo Costa
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Miscelânia Queirosiana
«Vi-a numa noite doce,
Em que o rouxinol cantava,
Luminoso pavilhão;
Era Sintra!Sonho lindo!
O aroma das giestas
E a minha voz,uma prece
De louvor ao Ramalhão.»
********************
«Passou o Conde Almirante,
Na sua galé do mar.
Tantos remos hã, por baixo,
Que não se podem contar.»
Quem me quer a mim servir,
Quem quer o meu pão ganhar,
Há-de levar esta carta
A Dom Clarim d'Além-mar.»
Queirós,Eça de , A Tragédia da Rua das Flores.
Lisboa: Edições «Livros do Brasil»,1984, pp. 92, 207
Recolha de Maria do Carmo Costa
Em que o rouxinol cantava,
Luminoso pavilhão;
Era Sintra!Sonho lindo!
O aroma das giestas
E a minha voz,uma prece
De louvor ao Ramalhão.»
********************
«Passou o Conde Almirante,
Na sua galé do mar.
Tantos remos hã, por baixo,
Que não se podem contar.»
Quem me quer a mim servir,
Quem quer o meu pão ganhar,
Há-de levar esta carta
A Dom Clarim d'Além-mar.»
Queirós,Eça de , A Tragédia da Rua das Flores.
Lisboa: Edições «Livros do Brasil»,1984, pp. 92, 207
Recolha de Maria do Carmo Costa
"Quadras", Augusto Gil
Venho dum baile. Horas mortas.
Que impressões trouxe gravadas!
Os pais a verem às portas
Se as filhas são procuradas...
Quando tu foste gerada
Pôs-se o Sol nasceu a Lua.
Estava tua mãe deitada,
Andava teu pai na rua.
Nos registos paroquiais
Há muitas páginas cheias
Com pais apenas legais
De criancinhas alheias...
Quando falaste em casar,
Certa noite ardente, escura,
Deitaste sem o pensar
Água fria na fervura.
Nestas tempos dissolutos
Toda a mulher é vendida,
Umas vendem-se aos minutos
-As outras por toda a vida.
Tantos namoros e ao cabo
Não houve um só que adregasse.
Casa-te com o diabo...
Para se ver o que nasce.
Gil, Augusto ,in Cem Poemas do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.64-65.
Recolha de Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Que impressões trouxe gravadas!
Os pais a verem às portas
Se as filhas são procuradas...
Quando tu foste gerada
Pôs-se o Sol nasceu a Lua.
Estava tua mãe deitada,
Andava teu pai na rua.
Nos registos paroquiais
Há muitas páginas cheias
Com pais apenas legais
De criancinhas alheias...
Quando falaste em casar,
Certa noite ardente, escura,
Deitaste sem o pensar
Água fria na fervura.
Nestas tempos dissolutos
Toda a mulher é vendida,
Umas vendem-se aos minutos
-As outras por toda a vida.
Tantos namoros e ao cabo
Não houve um só que adregasse.
Casa-te com o diabo...
Para se ver o que nasce.
Gil, Augusto ,in Cem Poemas do Riso e do Maldizer - Fanha, José e Letria, José Jorge(org.). Cascais: Ed. Terramar, 2003, pp.64-65.
Recolha de Ana Cidália Pereira
* Obra do acervo da Biblioteca desta escola
Etiquetas:
Augusto Gil,
Crítica Social,
Literatura Portuguesa,
Poesia,
Poeta Português
A GRANDE MURALHA DA CHINA
Os Chineses construíram uma fabulosa muralha há centenas de anos atrás para proteger o seu país dos inimigos. A grande Muralha da China atravessa desrtos, montanhas e pradarias ao longo da fronteira norte da China. Esta muralha é tão longa que até pode ser vista do Espaço.
A grande Muralha da China é feita em pedra. Estas torres de vigia ajudaram os soldados a ver a chegada dos inimigos.
Dalby, Elizabeth - A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia. Porto: Porto Editora, 2004, p.29
Recolha de Augusto Silva
* Obra da Biblioteca desta escola
SABES VER EXACTAMENTE ONDE SE SITUA ESTA "MARAVILHA" DO MUNDO NUM MAPA?
A grande Muralha da China é feita em pedra. Estas torres de vigia ajudaram os soldados a ver a chegada dos inimigos.
Dalby, Elizabeth - A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia. Porto: Porto Editora, 2004, p.29
Recolha de Augusto Silva
* Obra da Biblioteca desta escola
SABES VER EXACTAMENTE ONDE SE SITUA ESTA "MARAVILHA" DO MUNDO NUM MAPA?
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Ásia,
China,
Geografia,
Grande Muralha da China,
História,
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